Tempos difíceis
13/05/2009 at 01:30 | In Blogs | Leave a CommentTags: Post-it
Não sei se sou eu que ando com muito para fazer, se é o tempo que está mais acelerado do que nunca. A voracidade dos dias não me deixa um bocadinho para pensar… E escrever (que pensar, penso sempre). Desculpem a pretensão, ao presumir que tenho leitores assíduos (ou não…), mas os meus princípios de cortesia (mais não seja) obrigam-me a deixar uma palavra, depois de tanto tempo mudo. Bem haja.
Bloco de erros
21/04/2009 at 02:02 | In Opinião | Leave a CommentTags: Conjecturas, Política, Ridículo
O erro grosseiro detectado na proposta de lei da autoria do Bloco de Esquerda e aprovada pela maioria PS no Parlamento mostra que o BE é medianamente bom (já foi incomparavelmente melhor) a fazer oposição, a fintar os governos pelo flanco esquerdo, mas é um desastroso (e perigoso) fiasco a legislar. E aqui perdeu uma séria oportunidade de surpreender os descontentes e arrecadar mais capital de confiança – que se traduziria em votos (a maioria deles é de protesto, e não por convicção ideológica). Aliás, a lei é feita para esse perfil de eleitorado (cada vez maior).
Porém, «esquecer-se» das empresas, usadas por muitos empresários como podredouros da intrujice fiscal, é um tiro no pé que vai custar a sanar, em especial dos que tinham no Bloco uma alternativa ao chamado «voto útil» da alternância: os trabalhadores, os pobres, os desfavorecidos, a classe média descontente, enfim, os citados do costume nesta espécie de «MD» que se tornou o BE (tem mais duração que as velhas cassetes do PC e por isso não se repetem tanto… Mas repetem-se).
Não me parece que as ambições do Bloco sejam chegar à governação. Mas o PS considera que ainda pode vir a dar muito jeito para alguns eventuais acordos (‘pré-’, duvido; mas ‘pós-’, certamente que sim!) na enxurrada de eleições que começa daqui a poucas semanas.
Ou a repetina convergência na aceitação desta proposta foi porque estava brilhantemente redigida?! I don’t think so…
I’m sorry, Susan
18/04/2009 at 01:55 | In Emoção | Leave a CommentTags: Música, Porquê?, Talento
Premissa: os preconceitos neste post estão identificados com um asterisco vermelho. Contem-nos e já vão perceber porquê.
O formato já passou em Portugal (na RTP) e chamou-se, se não estou em erro, “Aqui há talento”.
Mas a amostra que se segue é britânica. E, apesar da fama de mais polidos* do que nós*, a atitude colectiva do público ao ver uma concorrente quarentona*, desempregada* e ainda por cima, da Escócia* não foi propriamente afável.
Realmente. Susan Boyle, o nome da concorrente, é uma nódoa na televisão, não é? É, sim senhor*.
Porém, não precisou sequer de sair do sítio (depois de bambolear* no palco) para pôr um público, que rebolava a rir ao antecipar a palhaçada* que ali vinha, ora mudo ora esfuziante.
Eu também ri. Mas depois arrepiei-me. E apercebi-me de que também tinha o mais condenável dos sentimentos: uma espécie de «superioridade» que conscientemente recusaria ter.
Esta é a mais certeira das chapadas: na arrogância, no cinismo, no menosprezo, no preconceito. Só se perdem as que caem no chão.
http://www.youtube.com/watch?v=uk2yIqBfb_I
http://www.youtube.com/watch?v=wnmbJzH93NU (vídeo completo, somente em inglês)
Entre-os-Rios: meio milhão de custas (à custa dos de sempre)
15/04/2009 at 23:09 | In Portugal | Leave a CommentTags: Justiça, Ridículo, Traulitânia
Legisla-se muito mal em Portugal. Disse-o o Procurador-Geral da República, e poucos neste país têm tanta legitimidade para avaliar.
A justiça em Portugal é labiríntica, burocrática, lenta, pouco eficiente, e mais-uns-quantos defeitos que todos sabemos, mas que só se manifestam em processos levantados por quem não tem meios (dinheiro, influência e alguma manha) para a fazer mexer – ou melhor, fazer pender. Ou então, nem sequer são abertos. O preço das custas judiciais imposto por este governo é, no mínimo, proibitivo.
O que me custa verdadeiramente – ao ponto de me revoltar – é quando a justiça não faz justiça. Ou quando é tudo menos justiça.
Veja-se o exemplo.
Cai uma ponte por “negligência e violação das regras técnicas”? Tem de haver responsáveis.
A partir daí, o raciocínio é relativamente acessível: a entidade que tinha como missão fiscalizar aquelas estruturas era (na altura) a Junta Autónoma de Estradas, que (presume-se) tinha peritos pagos para exercer essa função. Certo?
Errado! O lugar deles na JAE não estava enquadrada legalmente e esse vazio foi o argumento que definiu a absolvição daqueles senhores. Conclui-se, portanto, que aquela gente foi paga anos e anos para fazer, enfim, coisa nenhuma.
Quantos, na pesada estrutura da Administração Pública, estarão exactamente na mesma situação funcional e ainda por cima a levar ordenado para casa?
E quantas pontes têm de cair até que sejam cirurgicamente detectados? Muitas, pela certa.
E isso não é uma absurda irregularidade digna de levar o Estado a tribunal? Claro que não.
Estou a ser azedo e irónico, mas viver num país assim é uma sensação trágica.
E é, no mínimo, repugnante que passe pela cabeça de alguém mandar a conta das custas judiciais aos familiares das vítimas da queda da ponte de Entre-os-Rios. Repugnante com todas as letras.
Vão pagar um cêntimo que seja? Não sei, mas temo que sim.
No entanto, e mais uma vez, o poder alimenta-se a si próprio: as vítimas, se pagarem, estão a contribuir para o (certamente) magro ordenado desses responsáveis que, coitados, sem um lugar jurídica e funcionalmente definido, têm de ser pagos para não fazer nada.
No fundo, nada mais justo…
Pudor e bons costumes
13/04/2009 at 16:35 | In Portugal | 1 CommentTags: Memória, Ridículo, Traulitânia
Para mudar a mentalidade deste país, um século não basta.
A diferença entre os dois recortes de jornais é de 82 anos.
Insólito e quase inacreditável é o teor.
O que contou o clandestino “Reviralho” a 25 de Setebro de 1927, conta o “Sol” exactamente hoje. Mudam as instituições públicas, mas a estupidez permanece intocavelmente contemporânea (reforçada pelos incrivelmente imbecis comentários homofóbicos).


Fontes:
- http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/O%20REVIRALHO/O%20REVIRALHON5/O%20REVIRALHON5.pdf
- http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=131881
Akadémicos destes, já não se fazem
12/04/2009 at 20:27 | In Media | 2 CommentsTags: Ensino Superior, Jornalismo, Memória

Sabendo bem como andam os tempos para a liberdade de opinião e de imprensa, digam lá se esta capinha era ou não apetecível para ser proibida, rasurada, indexada, pendurada no reviralho?
A começar pelos carregados “600 euros” de manchete e a resvalar pelo resto do jornal…
Éramos todos aspirantes a principiantes, mas fazíamos tudo genuinamente muito bem. E o jornal valia por isso.
Vendo bem, até tenho «saudades» do tempo em que pagava esse valor em propinas.
Este ano lectivo, paguei quase o dobro. E nem uma linha nas “breves”…
As casas morrem de pé
12/04/2009 at 17:43 | In Causas | Leave a CommentTags: Guarda, Património, Porquê?
Eis a estima que damos aos locais de culto e de pertença dos poetas que dignificam a Guarda dentro e, acima de tudo, fora dela.
As casas onde viveram Augusto Gil, José Augusto de Castro ou Nuno de Montemor estão de pé mas morreram com eles. A insígnia de mármore que todas ostentam são as lápides da própria memória que a cidade não presta aos autores.
Só a de Monteiro da Fonseca se mantém em bom estado e continua a ser habitada pela família.
Hoje, como há 3 anos, lembro a quem vive nesta terra que os livros não são o único testemunho deixado pelos escreventes que, emocionados, declamamos só porque são nossos.
18 de Abril de 2009: Mais um Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios
Stabat Mater
11/04/2009 at 20:43 | In Emoção | 1 CommentTags: Música, Memória, Património, WWW
Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius
De pé, a mãe dolorosa junto da cruz, lacrimosa, via o filho que pendia
Cuius animam gementem contristatam et dolentem pertransivit gladius
Na sua alma agoniada enterrou-se a dura espada de uma antiga profecia
O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta Mater Unigeniti
Oh! Quão triste e quão aflita entre todas, Mãe bendita, que só tinha aquele Filho
Quae moerebat et dolebat Pia Mater dum videbat nati poenas inclyti
Como suspirava e gemia a Mãe Piedosa, ao ver os sofrimentos de seu divino Filho
Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria. Amen
Quando meu corpo morrer possa a alma merecer do Reino Celeste a glória. Ámen.
Uma obra fabulosa, de Zoltán Kodály. Letra traduzida por Ricardo Dias Neto.
Feliz Páscoa para todos: crentes, agnósticos e ateus.
Manuel António Pina
06/04/2009 at 01:15 | In Emoção | 1 CommentTags: Jornalismo, Memória, Paixão
O melhor cronista do país foi homenageado este fim-de-semana no Sabugal. Merecidamente. Incontornavelmente. Pertinentemente. E justissimamente.
Os amigos e familiares do poeta e jornalista, com quem tive oportunidade de trocar conversa, confessaram que ele é genuinamente um homem bom. E é mesmo.
Gostaria de ter estado na homenagem como cidadão e assíduo leitor de Manuel António Pina no JN, desamarrado dos fios do microfone e do mini-disc. Mas a entrevista que lhe fiz é, seguramente, das mais marcantes da minha (imberbe) carreira de jornalista.
No fim, despedimo-nos com um abraço.
É por momentos como este que gosto mesmo muito daquilo que faço.
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